domingo, 3 de agosto de 2025

Lamego, 3 de agosto de um ano pós Apocalipse

As sombras lá ficaram, meu amor, e ficarão lá e aqui as tatuo, da promessa de que foi a primeira e será a última vez que as vi... 
A mulher e o homem que tu dizes não ter rosto, ou talvez tenha e seja a forma como ela o ilumina com o olhar que clareia os seus contornos. Vi lá um abraço e tanto mais que ninguem lê essa história que me contaste das sombras que te acompanham como tu a sabes... Mas, sabes, se a lermos de baixo para cima, sim, porque sabes, é a nossa história. Não fui ver as sombras hoje, sombras que para muitos talvez sejam só apenas manchas de humidade negras em parede clara porque não quis, de novo, apaixonar-me. Talvez por saber que aquele fim que lá está desenhado é o presságio certo do "cada um para o seu lado".
E hoje sou eu que choro, meu amor... Hoje sou eu que choro por não te poder chamar meu, por não te poder chamar amor. Por saber que de uma forma ou de outra, por mais enamoradas que levasses a ver as tuas sombras, ninguém as compreenderia tão bem... Porque sim, ele tem face, uma face que brilha e ilumina o olhar dela que sabe que pouca esperança pode ter, tão pouco a pode alimentar, e que talvez ela até já olhe para cima, o caminho que sobe é mais duro, solitário e inseguro... Só porque ela sabe, ela sabe bem demais que não pode ficar. 

quinta-feira, 22 de maio de 2014

"Fazes-me confusão. Fazes-me confusão como uma comichãozinha na planta dos pés em dias de chuva. Oh que caraças! Fazes-me confusão que deixo de saber como se faz para dormir, ainda me consegues ensinar como se embala? Fazes-me a confusão de um bebé à nascença, que não sabe ver além de ouvir, que ouve tudo e reage sem falar, um bebé que ainda antes de nascer dá pontapés para dizer "Estou vivo. Cuida-me.". Pois é. Fazes-me a confusão que sei que não terei amanhã quando acordar. Mas isso só vai acontecer quando me cantares uma canção de embalar. Pode ser aquela bonita que conheces. Pois, de longe não te ouço, mas deixa lá, eu canto para mim mesma até a confusão passar."

domingo, 18 de maio de 2014

Mensagem encontrada num papel dobrado, entre duas páginas de uma Bíblia Sagrada numa capela já em ruínas algures numa casa antiga no centro da Bracara Augusta.

Braga, 10 de Maio de um ano comum.

Hoje vim até aqui para me redimir do pecado que cometo e para me despedir do que já fui. Peço, Senhor, que olheis ao meu encanto como prova da existência do meu amor. Peço-Vos ainda, Senhor, que me orienteis durante o meu percurso e que me ensineis a amar ainda mais, o mundo também, as pessoas, os animais, a vida: o próximo. Aqui Vos oro, sabendo-me pequena na minha missão de justiça no mundo, e recebo-Vos de coração aberto para que não mo deixeis cerrar em carinhos deslavados de ternura. Estarei disposta a fazer amor sem sacrifício, fazer amor, dar amor, mas rogo-Vos que não Vos esqueçais de mim, não deixeis que me esqueça de mim. Olhai pelo meu egoísmo para que não ame demais. Quero querer mais e seguir em frente, segura das minhas escolhas e confiante, sem medos, mas não me deixeis amar demais, Senhor.

Amén.

domingo, 27 de outubro de 2013

Levas-me para dançar, vendada com sonhos, e roubas-me os passos para lhes chamares teus. No chão ficam as marcas de dissabores que deslizam pelas escadas, desaparecem. E somos só nós, eu e não sei mais quem de ti. Ainda assim, deixo-me cair com a confiança de nunca mais a perder e a promessa de que, se fores meu, serei feliz em ti. Levas-me para dançar, vendada de mundos, cega na loucura de me pertencer e lúcida de cada toque, de cada segurança que me dás. Penetras-me nos sentidos como quem faz amor sem saber o que vem do amanhã, e entregas-te a mim além dos vestígios, ao ponto de ficar sem saber quem sou.
Levas-me para dançar, cega, de olhos tapados, para me fazeres esquecer que sou mal amada, na atrocidade do que não me sabes dar. Peço-te apenas que guardes as palavras, pois elas te definem. Somos só nós, eu e não sei mais quem de ti. Permanece no silêncio de sentidos, não quero saber quem és.

terça-feira, 22 de outubro de 2013

"Foste-me razão ardente
Para perder o desejo,
Antes o foste crescente,
Na falta desse teu beijo,
Que nunca me deste."

quarta-feira, 16 de outubro de 2013


Distante de ti perto
A alma oculta
Os sinceros suspiros fulminantes.
Aonde fica o tempo:
Só na culpa
De ter vivido após
O que era de antes.
E aos poucos vãos suspiros
Que se gritam,
Em silêncios, desejos que conspiras,
Não sabes ser daqueles que vão e ficam,
Silenciosamente em mim respiras.
E foste assim deixado nos meus nós,
Desatado da pele que me levantas
Para largares então o que é de após,
Depois de teres esquecido o que foi de antes.

sábado, 7 de setembro de 2013

 Uma carta de amor ao seu sorriso.

"Barcelona, 8 de Junho de 2013


Hoje saí à rua para te escrever. Tenho esperança que chova lá fora para me lavar das memórias que restam dos sonhos que já há muito não passo para o papel. Decerto não te sabes interlocutor destes meus traços, talvez nem te devas saber.
Pergunto-me o que te diz um beijo, sequer se o sabes ler. Saberás tocar um beijo, saberás ser-te tocado?
Contorço-me de desejos a que só por ti não consigo ceder. Doem-me as verdades na verdade de saber que nunca te vou ter. Não posso falar, não posso tocar, não dá, não te posso viver.
Pergunto-me como me sentes, se me sentes. Pergunto o que saberás de mim. E de uma forma meio egoísta queria saber apenas, queria saber-te, apenas.
Não sei de onde nasce o que me faz morrer. Gostava de ver o teu sorriso, afinal não sou mais do que mera espectadora.

Atenciosamente em ti."

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Não te voltarei a ver:
Nem mais nem menos,
Melhor ou pior.
Somos e fomos apenas o que queremos
Nem mais nem menos que amor.

Amar aos pedaços,
Aos empréstimos,
Amar em prestações.
Fomos apenas o que quisemos,
Juntos sem cor nem corações.

Amor  a quem? A nós mesmos?
O Amor não nos deixou mais que pedaços
Do que tivemos.
Os poucos te deixei meus. Por segundos,
Minutos, horas, tempos,
Os dois mundos, dois pequenos mundos.
Esquecidos dos outros,
Por momentos.

quinta-feira, 27 de junho de 2013


Mensagem encontrada no chão do último andar de um prédio em Londres, junto de um par de sapatos.


Convidas-me para dançar
E eu descalço os meus sapatos de salto
Só para poder sentir o chão
A escorregar na minha pele
Com a mesma força

Que a dança.
Não há barulho,
Nem um ritmo,
E danças-me o tango
Com o carinho
Do que é natural.
Ouvem-se apenas os passos
No chão que fica
Cada vez mais longe de nós.
Vives na inflação de ti mesmo e eu ainda não descobri onde começo. Mas sei que não tenho limites. A morte é o meu término, a vida a minha única limitação.

sábado, 25 de maio de 2013

Carta de suicídio do mundo a um coração enclausurado.
Paris, Janeiro 2012.

"Cruzas-te com o azul do céu de uma noite estrelada, e a lua onde não chego.
sei ou não quero saber que não te toco outra vez, e sabendo que te toco cada vez que me vês, deixas-me confusa entre a multidão que espero que me cegue de ti.
Apetecem-me loucuras e dizer-te que te amo, apetece-me. És de alguém que não tenho. Nunca quis que fosses meu além de ti, nunca quis que fosses eu além de mim, e não és, sendo.
Desvendar esse olhar sem o escrever faz-me sentir-me culpada, não querer crer, querendo.
E mais uma vez no quase não controlar de emoções, encontro em ti a única falha do meu corpo. Levaste o meu coração contigo, e quero esquecer-te, mas nunca mais consegui amar.
Podia dizer que não à multidão, que ainda assim não me cega, mas ver-te deixa-me nessa solidão que a mim se apega, que me desleixa de me querer por te querer. Fazes-me falta ao corpo e não sou de mais ninguém.
O tempo deixa levando o vazio, nada mais me completa. Não sei chorar, não mais o sei chorar, não sei sofrer. sofro apenas nos sonhos em que te tenho o saber-me não te ter excepto nesse olhar.
Achas que me têm, nada é igual, e sinto-me pequenina cada vez que achas que me têm. Não sou de ninguém. Não sou minha sequer. Na loucura de te querer não te creio, na loucura de te querer ainda te anseio, não me digas não. Ou então diz, diz-me que não, que estou enganada, que não me amas, que sou apenas eu enclausurada num corpo sem coração.
Não me inspiras pois toda eu fui inspirada em ti. Então, imploro, expira cada segundo do tempo que me tocaste e devolve cada pedaço daquilo que não me deixaste de mim.
Estou perdida em mim no corpo em movimento que conservo no tormento de te esquecer, e a mente já não sei. Não sei nada do mundo.
O que sou?
Diz sem saberes quem sou o que tens de mim, o que reténs. Queria reter-te assim, não sei quem és.
Devolve-me os pedaços do que roubaste de mim, do que te dei de mão beijada, de corpo ardente, de beijos sem fim. Fecho os olhos, não sei o que é ter-te.
Ai.
Quer a cidade comer-me de desesperos, lamber o que resta do que bamboleia entre passos e torturas, quer a cidade, o ar, os cantos, os sufocos, vomitar-me de ácidos, repleta de vontades que não sei ter. Perdi o sabor, perdi os suspiros, perdi. Perdi-me para ti."

terça-feira, 2 de abril de 2013

Não vais achar bem que peça o pouco que resta da tua presença. Sabes que, de outra forma, não te quereria aqui. O cheiro a café com canela inunda o que resta dos meus pensamentos solitários em França. Sem estar à espera, descobri Paris no recanto de um café, e nele a vontade de te ter aqui.~
Sei que não vais achar bem que reclame o pouco que resta da tua presença. Virei aqui todos os dias para te procurar um pouco mais, para te enamorar, para me enamorar.
Talvez fique só para te ver na poesia que escrevo, na esperança de te tocar entre as palavras que não encontro. Talvez fique só para te sentir. Talvez fique só.

sábado, 1 de dezembro de 2012

Ali estavas tu:
Sob o soalho molhado da inconsciência.
Escrevias-te nomes que não escutavas
Para eu te chamar.
E no que fica dessa tua ciência
Deixavas-me amar.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Não te pertences,
Nem ao tempo.
Inventei-te um poema
Onde a métrica é o teu beijo,
Não o soubeste ler.
Fizeste-me declará-lo nos teus lábios,
Crescente no desejo
De te ter.
Não te pertences,
Não pertences a ninguém.
Levas o desejo
De quem não sabe se se tem.
Ficas com o poema,
Porque nada mais sabes reter,
Nem a vontade que sei que tens,
De te rever.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Vem, foge comigo...
Diz-se onde não há memória
Que o esquecimento
Não é perigo para a glória.
Foge comigo,
Esquece-te de mim,
Sei que estarei lá,
No fim.

domingo, 16 de setembro de 2012

Quase me apetece ser doce
Ao teu olhar.
Mas não me ames.
Prefiro ser o nada ao teu pesar.
Mas quem és tu?
A música que não toca no meu silêncio.

Não me ames.
Se quiseres podes ser louco
Inventar-me um mundo novo..
Mas não penses que é pouco,
Só não me ames.
Deixo-te querer o que não quero,
Diz-me porque erro,
Mas não me ames.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

O jardim já recebe o Outono aos poucos. 
Vem de Norte e diz procurar por quem não sente.
Quem não sente não se diz gente
Aos olhos de quem não vê,
Mente.
Não sei pisar esse jardim.
Tal como tu, libertas-te desalojado de desejos.
Chamas-lhe, tu, beijos
Que não dás.
Nem nada do que o Outono te traz:
Bocejos.
Ladrilhas o chão pisado com passos longos
Onde ainda poucas folhas estão.
Rezas os teus passos sem andar,
E Ficas a olhar,
Para veres como eles se dão.
O jardim já recebe o Outono aos poucos.
Fecha as suas portas.
Sem verdades.
Deixa os segundos loucos,
Sem vontades,
O vento não se perde em ruas tortas,
E as mentiras sobrepostas no caminho
Rezam por ti folhas que se pagam,
Apagam, devagarinho.
Chamas-lhe, tu, beijos
Que não dás.

domingo, 12 de agosto de 2012

Culpas-me de medir
A geometria dos teus passos
Quando não me vês.
E de tornar
Os sentimentos mais escassos
No seu invés.
Culpas-me de te querer sorrir,
Aos poucos,
Em gestos que não sei tocar,
De tornar
Os segundos loucos,
Do tempo que não sei contar.

Foi o vento quem te disse
Ou a água que não chove?

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Larguei o papel com palavras e meios sentimentos, peguei no resto, e virei costas. A porta, fechei à chave sabendo que nunca a abririas, e depois de dois passos dados, cerca-me a vontade de ter lá deixado tudo junto com as palavras no papel. Talvez o peso não fosse tanto, talvez o sonho não fosse tanto. Devagar, e imaginando-me tropeçar na felicidade ali, já ao virar da esquina, caminho em direcção ao pôr do sol junto ao mar. Guardo apenas a esperança que o iodo me limpe os pulmões, e ajude a renascer o coração. O frio que fica já pouco me toca. Guardo também o silêncio de querer não saber nada, de ser criança em corpo de mulher... de querer, sem querer, ser inundada em menos que amor sem lhe saber dar nome.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Encontrado em pedaços de papel no chão de um quarto de hotel em Paris:

"Tocar-te.
A cada dedo, ter um pouco mais de ti.
Teus ombros já tecidos sob os meus cotovelos, desvendam o sonho:
Podia fazer-te inteiro, podia fazê-lo inteiro.
E nesta vontade de amanhã não te amar
Despejo-me de tonturas.
És tu, só tu, quem eu invento
A cada toque.
Ficas no meu peito, de costas,
Voltas as costas à manhã,
E a noite que não chega tem as estrelas
A tocar-te
O pensamento.
Onde não chego.

Atenciosamente"