quinta-feira, 22 de maio de 2014

"Fazes-me confusão. Fazes-me confusão como uma comichãozinha na planta dos pés em dias de chuva. Oh que caraças! Fazes-me confusão que deixo de saber como se faz para dormir, ainda me consegues ensinar como se embala? Fazes-me a confusão de um bebé à nascença, que não sabe ver além de ouvir, que ouve tudo e reage sem falar, um bebé que ainda antes de nascer dá pontapés para dizer "Estou vivo. Cuida-me.". Pois é. Fazes-me a confusão que sei que não terei amanhã quando acordar. Mas isso só vai acontecer quando me cantares uma canção de embalar. Pode ser aquela bonita que conheces. Pois, de longe não te ouço, mas deixa lá, eu canto para mim mesma até a confusão passar."

domingo, 18 de maio de 2014

Mensagem encontrada num papel dobrado, entre duas páginas de uma Bíblia Sagrada numa capela já em ruínas algures numa casa antiga no centro da Bracara Augusta.

Braga, 10 de Maio de um ano comum.

Hoje vim até aqui para me redimir do pecado que cometo e para me despedir do que já fui. Peço, Senhor, que olheis ao meu encanto como prova da existência do meu amor. Peço-Vos ainda, Senhor, que me orienteis durante o meu percurso e que me ensineis a amar ainda mais, o mundo também, as pessoas, os animais, a vida: o próximo. Aqui Vos oro, sabendo-me pequena na minha missão de justiça no mundo, e recebo-Vos de coração aberto para que não mo deixeis cerrar em carinhos deslavados de ternura. Estarei disposta a fazer amor sem sacrifício, fazer amor, dar amor, mas rogo-Vos que não Vos esqueçais de mim, não deixeis que me esqueça de mim. Olhai pelo meu egoísmo para que não ame demais. Quero querer mais e seguir em frente, segura das minhas escolhas e confiante, sem medos, mas não me deixeis amar demais, Senhor.

Amén.