quarta-feira, 9 de maio de 2012

Deixado escrito num bloco de notas esquecido numa mesa de café, algures em Londres.

"Deixo-me cair na monotonia do café, mas talvez de forma diferente observo-o a acender o cigarro com o último fósforo da caixa. Nesta curiosidade de procurar o que, dele, mais descrever, vou ficando satisfeita com o facto de o ter visto apenas pela primeira vez e, quem sabe, pela última.
Confia as suas esperanças ao cigarro que agora vai a meio e, suspirando pequenos gozos, consegue convencer-me de que nada mais quer.
Seduz-me esse 'não o conhecer' e desenho-o em imagens que, decerto, não ficarão para sempre. Tomara a ele saber-se inspiração.
O sorrir para nada deixa-me assim envolta nesta alegria que pouco me traz, mas muito deixa ficar, e este mundo que me toca não é diferente dos que crio, dos que invento, dos que efectivamente sei."

terça-feira, 8 de maio de 2012

Mensagem encontrada escrita na casca de uma árvore.

"Dizem que as árvores guardam as palavras que são rasgadas na sua casca. Um dia deixei que me escrevessem "amor" na minha pele, e nesse mesmo dia, decidi ser uma árvore."

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Mensagem deixada escrita num papel em cima de uma mesa de café.

"Maligno este frio... O teu lindo sorriso traz um pouco de calor.

Atenciosamente."

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Mensagem encontrada no bolso de um casaco, numa alfaiataria algures no Porto.

"Sei que desejas, mais que ninguém, ou talvez tanto como muitas outras pessoas, fazer outra vez amor. Talvez até pela primeira vez. Quase nada te distrai. Deixas, quase tanto como eu gostaria de o fazer, o tempo passar, e guardas nele simples vontades de ter onde pousar depois do voo.
Espero-te, sabes onde.

Atenciosamente."
Mensagem encontrada na gaveta de uma secretária antiga, no sótão de uma casa alugada em Paris.

"Sento-me na cadeira da secretária do sótão da casa sem tecto, para observar as estrelas. Pego num papel e numa caneta, e como se quisesse descrever, deixo-me ficar de cabeça caída nas costas da cadeira dura, simplesmente a observá-las. Alguém me chama loucura.
Sem querer hoje deixei-me cair nos braços da loucura, num sonho. Talvez seja isso que procuro nas estrelas. É sem dúvida indescritível essa vontade de sorrir.
Deixei-me, então, cair nas costas da cadeira como nos braços da loucura, e na esperança de encontrar um pouco de esperança, peço-te para me abraçares livremente.
Talvez me sinta segura aqui, nas estrelas.
Uma súbita vontade de chorar de felicidade faz-me perder-me na imensidão desta esperança louca de conseguir sonhar-te outra vez. Talvez não o faça porque o estou a escrever, mas agradeço esta vontade que criaste em mim de me fazer sonhar outra vez. Loucura? Talvez.

Atenciosamente."
Mensagem encontrada numa garrafa à beira-rio.

"Vou largar as sombras. Elas perdem-se como passos no caminho, como suspiros.
Guardo o sorriso adormecido na noite sem sono, e na fugacidade de querer dizer que te quero, deixo cair as palavras.
Acordei a achar que sempre foste, desde o início, o único merecedor do meu sorriso.
Às vezes deixo-me perder-me em tal amor quase platónico que mostras nessa tua insegurança de querer sorrir de volta. Quase permanecendo neste brilhozinho baço de olhos, querendo permanecer, deixo-me ficar no platonismo deste quase-amor.
Com certeza me apostaria em ti. O que fica? Esta vontade de dizer o teu nome sem suspiros, na mera ingenuidade de me sentir segura nesse abraço que parece ser diferente de tantos outros, imaginados.
Querer olhar-te e dizer-te que és. Nesta minha vontade de querer quase-amar-te, és, foste, serás. Quase quero que me ames.
E assim, crio destinos diferentes ao armar a teia deste amor que finjo não sentir. Amarro-o a linhas que, imperceptíveis, transportam todo o sentimento ao seu destinatário.
Talvez apenas te queira ver, sem querer usar as palavras de outro poeta para descrever esse azul dos teus olhos, acho que sempre o amei. E espero, ansiosamente, sem querer, ansiosamente, forçar essa vontade de te dizer "Não olhes. Fecha os olhos. Não rejeites. Vive. Vive comigo. Longe ou perto.".

Atenciosamente."