O jardim já recebe o Outono aos poucos.
Vem de Norte e diz procurar por quem não sente.
Quem não sente não se diz gente
Aos olhos de quem não vê,
Mente.
Não sei pisar esse jardim.
Tal como tu, libertas-te desalojado de desejos.
Chamas-lhe, tu, beijos
Que não dás.
Nem nada do que o Outono te traz:
Bocejos.
Ladrilhas o chão pisado com passos longos
Onde ainda poucas folhas estão.
Rezas os teus passos sem andar,
E Ficas a olhar,
Para veres como eles se dão.
O jardim já recebe o Outono aos poucos.
Fecha as suas portas.
Sem verdades.
Deixa os segundos loucos,
Sem vontades,
O vento não se perde em ruas tortas,
E as mentiras sobrepostas no caminho
Rezam por ti folhas que se pagam,
Apagam, devagarinho.
Chamas-lhe, tu, beijos
Que não dás.
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