domingo, 27 de outubro de 2013

Levas-me para dançar, vendada com sonhos, e roubas-me os passos para lhes chamares teus. No chão ficam as marcas de dissabores que deslizam pelas escadas, desaparecem. E somos só nós, eu e não sei mais quem de ti. Ainda assim, deixo-me cair com a confiança de nunca mais a perder e a promessa de que, se fores meu, serei feliz em ti. Levas-me para dançar, vendada de mundos, cega na loucura de me pertencer e lúcida de cada toque, de cada segurança que me dás. Penetras-me nos sentidos como quem faz amor sem saber o que vem do amanhã, e entregas-te a mim além dos vestígios, ao ponto de ficar sem saber quem sou.
Levas-me para dançar, cega, de olhos tapados, para me fazeres esquecer que sou mal amada, na atrocidade do que não me sabes dar. Peço-te apenas que guardes as palavras, pois elas te definem. Somos só nós, eu e não sei mais quem de ti. Permanece no silêncio de sentidos, não quero saber quem és.

terça-feira, 22 de outubro de 2013

"Foste-me razão ardente
Para perder o desejo,
Antes o foste crescente,
Na falta desse teu beijo,
Que nunca me deste."

quarta-feira, 16 de outubro de 2013


Distante de ti perto
A alma oculta
Os sinceros suspiros fulminantes.
Aonde fica o tempo:
Só na culpa
De ter vivido após
O que era de antes.
E aos poucos vãos suspiros
Que se gritam,
Em silêncios, desejos que conspiras,
Não sabes ser daqueles que vão e ficam,
Silenciosamente em mim respiras.
E foste assim deixado nos meus nós,
Desatado da pele que me levantas
Para largares então o que é de após,
Depois de teres esquecido o que foi de antes.