Levas-me para dançar, vendada com sonhos, e roubas-me os passos para lhes chamares teus. No chão ficam as marcas de dissabores que deslizam pelas escadas, desaparecem. E somos só nós, eu e não sei mais quem de ti. Ainda assim, deixo-me cair com a confiança de nunca mais a perder e a promessa de que, se fores meu, serei feliz em ti. Levas-me para dançar, vendada de mundos, cega na loucura de me pertencer e lúcida de cada toque, de cada segurança que me dás. Penetras-me nos sentidos como quem faz amor sem saber o que vem do amanhã, e entregas-te a mim além dos vestígios, ao ponto de ficar sem saber quem sou.
Levas-me para dançar, cega, de olhos tapados, para me fazeres esquecer que sou mal amada, na atrocidade do que não me sabes dar. Peço-te apenas que guardes as palavras, pois elas te definem. Somos só nós, eu e não sei mais quem de ti. Permanece no silêncio de sentidos, não quero saber quem és.
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