Carta de suicídio do mundo a um coração enclausurado.
Paris, Janeiro 2012.
"Cruzas-te com o azul do céu de uma noite estrelada, e a lua onde não chego.
sei ou não quero saber que não te toco outra vez, e sabendo que te toco cada vez que me vês, deixas-me confusa entre a multidão que espero que me cegue de ti.
Apetecem-me loucuras e dizer-te que te amo, apetece-me. És de alguém que não tenho. Nunca quis que fosses meu além de ti, nunca quis que fosses eu além de mim, e não és, sendo.
Desvendar esse olhar sem o escrever faz-me sentir-me culpada, não querer crer, querendo.
E mais uma vez no quase não controlar de emoções, encontro em ti a única falha do meu corpo. Levaste o meu coração contigo, e quero esquecer-te, mas nunca mais consegui amar.
Podia dizer que não à multidão, que ainda assim não me cega, mas ver-te deixa-me nessa solidão que a mim se apega, que me desleixa de me querer por te querer. Fazes-me falta ao corpo e não sou de mais ninguém.
O tempo deixa levando o vazio, nada mais me completa. Não sei chorar, não mais o sei chorar, não sei sofrer. sofro apenas nos sonhos em que te tenho o saber-me não te ter excepto nesse olhar.
Achas que me têm, nada é igual, e sinto-me pequenina cada vez que achas que me têm. Não sou de ninguém. Não sou minha sequer. Na loucura de te querer não te creio, na loucura de te querer ainda te anseio, não me digas não. Ou então diz, diz-me que não, que estou enganada, que não me amas, que sou apenas eu enclausurada num corpo sem coração.
Não me inspiras pois toda eu fui inspirada em ti. Então, imploro, expira cada segundo do tempo que me tocaste e devolve cada pedaço daquilo que não me deixaste de mim.
Estou perdida em mim no corpo em movimento que conservo no tormento de te esquecer, e a mente já não sei. Não sei nada do mundo.
O que sou?
Diz sem saberes quem sou o que tens de mim, o que reténs. Queria reter-te assim, não sei quem és.
Devolve-me os pedaços do que roubaste de mim, do que te dei de mão beijada, de corpo ardente, de beijos sem fim. Fecho os olhos, não sei o que é ter-te.
Ai.
Quer a cidade comer-me de desesperos, lamber o que resta do que bamboleia entre passos e torturas, quer a cidade, o ar, os cantos, os sufocos, vomitar-me de ácidos, repleta de vontades que não sei ter. Perdi o sabor, perdi os suspiros, perdi. Perdi-me para ti."
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