Sentei-me na sombra do por-do-sol. Queria ver-te. Escondida entre as árvores puxei do meu bloco de notas, para te imaginar e, no entanto, lá estavas tu, com esse teu ar meio de criança a tentar ser adulto, sentado à beira da terceira árvore a contar daquela à qual me encosto. Tento imaginar como vês tu o por-do-sol. Ao mesmo tempo, tento desviar o olhar de ti, numa timidez exacerbada que não controla o medo de teres desaparecido na próxima vez que te olhe ou te procure. Rasgo deste caderno a folha onde te escrevi um poema, deixo-a ali, dobrada, presa na casca da tua árvore, antes de deixar a sombra do por-do-sol. Lê-o na próxima vez que te imaginar.
Atenciosamente.
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