As sombras lá ficaram, meu amor, e ficarão lá e aqui as tatuo, da promessa de que foi a primeira e será a última vez que as vi...
A mulher e o homem que tu dizes não ter rosto, ou talvez tenha e seja a forma como ela o ilumina com o olhar que clareia os seus contornos. Vi lá um abraço e tanto mais que ninguem lê essa história que me contaste das sombras que te acompanham como tu a sabes... Mas, sabes, se a lermos de baixo para cima, sim, porque sabes, é a nossa história. Não fui ver as sombras hoje, sombras que para muitos talvez sejam só apenas manchas de humidade negras em parede clara porque não quis, de novo, apaixonar-me. Talvez por saber que aquele fim que lá está desenhado é o presságio certo do "cada um para o seu lado".
E hoje sou eu que choro, meu amor... Hoje sou eu que choro por não te poder chamar meu, por não te poder chamar amor. Por saber que de uma forma ou de outra, por mais enamoradas que levasses a ver as tuas sombras, ninguém as compreenderia tão bem... Porque sim, ele tem face, uma face que brilha e ilumina o olhar dela que sabe que pouca esperança pode ter, tão pouco a pode alimentar, e que talvez ela até já olhe para cima, o caminho que sobe é mais duro, solitário e inseguro... Só porque ela sabe, ela sabe bem demais que não pode ficar.