sábado, 1 de dezembro de 2012

Ali estavas tu:
Sob o soalho molhado da inconsciência.
Escrevias-te nomes que não escutavas
Para eu te chamar.
E no que fica dessa tua ciência
Deixavas-me amar.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Não te pertences,
Nem ao tempo.
Inventei-te um poema
Onde a métrica é o teu beijo,
Não o soubeste ler.
Fizeste-me declará-lo nos teus lábios,
Crescente no desejo
De te ter.
Não te pertences,
Não pertences a ninguém.
Levas o desejo
De quem não sabe se se tem.
Ficas com o poema,
Porque nada mais sabes reter,
Nem a vontade que sei que tens,
De te rever.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Vem, foge comigo...
Diz-se onde não há memória
Que o esquecimento
Não é perigo para a glória.
Foge comigo,
Esquece-te de mim,
Sei que estarei lá,
No fim.

domingo, 16 de setembro de 2012

Quase me apetece ser doce
Ao teu olhar.
Mas não me ames.
Prefiro ser o nada ao teu pesar.
Mas quem és tu?
A música que não toca no meu silêncio.

Não me ames.
Se quiseres podes ser louco
Inventar-me um mundo novo..
Mas não penses que é pouco,
Só não me ames.
Deixo-te querer o que não quero,
Diz-me porque erro,
Mas não me ames.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

O jardim já recebe o Outono aos poucos. 
Vem de Norte e diz procurar por quem não sente.
Quem não sente não se diz gente
Aos olhos de quem não vê,
Mente.
Não sei pisar esse jardim.
Tal como tu, libertas-te desalojado de desejos.
Chamas-lhe, tu, beijos
Que não dás.
Nem nada do que o Outono te traz:
Bocejos.
Ladrilhas o chão pisado com passos longos
Onde ainda poucas folhas estão.
Rezas os teus passos sem andar,
E Ficas a olhar,
Para veres como eles se dão.
O jardim já recebe o Outono aos poucos.
Fecha as suas portas.
Sem verdades.
Deixa os segundos loucos,
Sem vontades,
O vento não se perde em ruas tortas,
E as mentiras sobrepostas no caminho
Rezam por ti folhas que se pagam,
Apagam, devagarinho.
Chamas-lhe, tu, beijos
Que não dás.

domingo, 12 de agosto de 2012

Culpas-me de medir
A geometria dos teus passos
Quando não me vês.
E de tornar
Os sentimentos mais escassos
No seu invés.
Culpas-me de te querer sorrir,
Aos poucos,
Em gestos que não sei tocar,
De tornar
Os segundos loucos,
Do tempo que não sei contar.

Foi o vento quem te disse
Ou a água que não chove?

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Larguei o papel com palavras e meios sentimentos, peguei no resto, e virei costas. A porta, fechei à chave sabendo que nunca a abririas, e depois de dois passos dados, cerca-me a vontade de ter lá deixado tudo junto com as palavras no papel. Talvez o peso não fosse tanto, talvez o sonho não fosse tanto. Devagar, e imaginando-me tropeçar na felicidade ali, já ao virar da esquina, caminho em direcção ao pôr do sol junto ao mar. Guardo apenas a esperança que o iodo me limpe os pulmões, e ajude a renascer o coração. O frio que fica já pouco me toca. Guardo também o silêncio de querer não saber nada, de ser criança em corpo de mulher... de querer, sem querer, ser inundada em menos que amor sem lhe saber dar nome.