quarta-feira, 31 de julho de 2013

Não te voltarei a ver:
Nem mais nem menos,
Melhor ou pior.
Somos e fomos apenas o que queremos
Nem mais nem menos que amor.

Amar aos pedaços,
Aos empréstimos,
Amar em prestações.
Fomos apenas o que quisemos,
Juntos sem cor nem corações.

Amor  a quem? A nós mesmos?
O Amor não nos deixou mais que pedaços
Do que tivemos.
Os poucos te deixei meus. Por segundos,
Minutos, horas, tempos,
Os dois mundos, dois pequenos mundos.
Esquecidos dos outros,
Por momentos.

quinta-feira, 27 de junho de 2013


Mensagem encontrada no chão do último andar de um prédio em Londres, junto de um par de sapatos.


Convidas-me para dançar
E eu descalço os meus sapatos de salto
Só para poder sentir o chão
A escorregar na minha pele
Com a mesma força

Que a dança.
Não há barulho,
Nem um ritmo,
E danças-me o tango
Com o carinho
Do que é natural.
Ouvem-se apenas os passos
No chão que fica
Cada vez mais longe de nós.
Vives na inflação de ti mesmo e eu ainda não descobri onde começo. Mas sei que não tenho limites. A morte é o meu término, a vida a minha única limitação.

sábado, 25 de maio de 2013

Carta de suicídio do mundo a um coração enclausurado.
Paris, Janeiro 2012.

"Cruzas-te com o azul do céu de uma noite estrelada, e a lua onde não chego.
sei ou não quero saber que não te toco outra vez, e sabendo que te toco cada vez que me vês, deixas-me confusa entre a multidão que espero que me cegue de ti.
Apetecem-me loucuras e dizer-te que te amo, apetece-me. És de alguém que não tenho. Nunca quis que fosses meu além de ti, nunca quis que fosses eu além de mim, e não és, sendo.
Desvendar esse olhar sem o escrever faz-me sentir-me culpada, não querer crer, querendo.
E mais uma vez no quase não controlar de emoções, encontro em ti a única falha do meu corpo. Levaste o meu coração contigo, e quero esquecer-te, mas nunca mais consegui amar.
Podia dizer que não à multidão, que ainda assim não me cega, mas ver-te deixa-me nessa solidão que a mim se apega, que me desleixa de me querer por te querer. Fazes-me falta ao corpo e não sou de mais ninguém.
O tempo deixa levando o vazio, nada mais me completa. Não sei chorar, não mais o sei chorar, não sei sofrer. sofro apenas nos sonhos em que te tenho o saber-me não te ter excepto nesse olhar.
Achas que me têm, nada é igual, e sinto-me pequenina cada vez que achas que me têm. Não sou de ninguém. Não sou minha sequer. Na loucura de te querer não te creio, na loucura de te querer ainda te anseio, não me digas não. Ou então diz, diz-me que não, que estou enganada, que não me amas, que sou apenas eu enclausurada num corpo sem coração.
Não me inspiras pois toda eu fui inspirada em ti. Então, imploro, expira cada segundo do tempo que me tocaste e devolve cada pedaço daquilo que não me deixaste de mim.
Estou perdida em mim no corpo em movimento que conservo no tormento de te esquecer, e a mente já não sei. Não sei nada do mundo.
O que sou?
Diz sem saberes quem sou o que tens de mim, o que reténs. Queria reter-te assim, não sei quem és.
Devolve-me os pedaços do que roubaste de mim, do que te dei de mão beijada, de corpo ardente, de beijos sem fim. Fecho os olhos, não sei o que é ter-te.
Ai.
Quer a cidade comer-me de desesperos, lamber o que resta do que bamboleia entre passos e torturas, quer a cidade, o ar, os cantos, os sufocos, vomitar-me de ácidos, repleta de vontades que não sei ter. Perdi o sabor, perdi os suspiros, perdi. Perdi-me para ti."

terça-feira, 2 de abril de 2013

Não vais achar bem que peça o pouco que resta da tua presença. Sabes que, de outra forma, não te quereria aqui. O cheiro a café com canela inunda o que resta dos meus pensamentos solitários em França. Sem estar à espera, descobri Paris no recanto de um café, e nele a vontade de te ter aqui.~
Sei que não vais achar bem que reclame o pouco que resta da tua presença. Virei aqui todos os dias para te procurar um pouco mais, para te enamorar, para me enamorar.
Talvez fique só para te ver na poesia que escrevo, na esperança de te tocar entre as palavras que não encontro. Talvez fique só para te sentir. Talvez fique só.

sábado, 1 de dezembro de 2012

Ali estavas tu:
Sob o soalho molhado da inconsciência.
Escrevias-te nomes que não escutavas
Para eu te chamar.
E no que fica dessa tua ciência
Deixavas-me amar.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Não te pertences,
Nem ao tempo.
Inventei-te um poema
Onde a métrica é o teu beijo,
Não o soubeste ler.
Fizeste-me declará-lo nos teus lábios,
Crescente no desejo
De te ter.
Não te pertences,
Não pertences a ninguém.
Levas o desejo
De quem não sabe se se tem.
Ficas com o poema,
Porque nada mais sabes reter,
Nem a vontade que sei que tens,
De te rever.